
Em 2025 cumprem-se cinquenta anos sobre a edição de Semear Salsa ao Reguinho, álbum inaugural de Vitorino Salomé, que se tornou uma das vozes mais emblemáticas da música portuguesa contemporânea.
Cantor, compositor e intérprete, Vitorino é hoje reconhecido como um dos últimos resistentes de Abril em plena atividade artística, testemunha viva de meio século de música, liberdade e democracia.
Nascido no Redondo, numa família de músicos, cresceu imerso na tradição oral alentejana. Desde cedo se cruzou com os protagonistas da canção de intervenção, tendo sido companheiro fiel de José Afonso e de Adriano Correia de Oliveira, com quem aprendeu as artes do palco e o respeito pelo público.
Ao lado de José Mário Branco, Sérgio Godinho e outros companheiros, sobreviveu a cantar no metro e partilhou a experiência da emigração em Paris, entre tertúlias, boémia e luta política.
A sua carreira é marcada por colaborações maiores: Fausto, Rui Veloso, Jorge Palma, Tim, Janita Salomé, entre muitos outros. Foi fundador do projeto Rio Grande e gravou em Cuba com o Septeto Habanero, numa abertura constante ao diálogo musical internacional.
O percurso de Vitorino é distinguido por prémios que reforçam a sua centralidade cultural:
O novo álbum
Com lançamento previsto para outubro de 2025, o disco “50 Anos a Semear Salsa ao Reguinho” recria o alinhamento original de 1975, renovado por arranjos atuais e pelo encontro com alguns dos maiores nomes da música portuguesa: Rui Veloso, Jorge Palma, Luísa Sobral, Cuca Roseta, Ana Bacalhau, TIM, Janita Salomé, Maria Ana Bobone, Buba Espinho, Pedro Sáfara, Segue-me à Capela, entre outros — numa ponte entre gerações.
Um espetáculo vivo e plural
O concerto comemorativo revisita os clássicos de Vitorino, cruzando tradição alentejana, poesia popular e novas sonoridades.
Em palco, para além da sua banda, o espetáculo admite a presença de convidados especiais (participantes no disco) e a integração de artistas locais em cada região, reforçando o caráter comunitário e enraizado de uma obra que sempre se alimentou da proximidade com o povo e a terra.