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Palco Matriz

27 JUN

00h30

koza mostra

(gr)

A Grécia de 2012 era um país em estado de choque. A crise da dívida soberana havia transformado a austeridade em política de Estado: pensões cortadas, hospitais encerrados, uma geração inteira sem trabalho e sem perspetiva. Nas ruas de Atenas, os protestos sucediam-se. Em Salónica, a segunda cidade, a vida continuava com aquela mistura peculiar de desespero e resiliência mediterrânea que os gregos conhecem há séculos. É nesse contexto que Ilias Kozas, guitarrista veterano de bandas como os Cabaret Balkan e os Motherfunkers, decide que chegou o momento de ter a sua própria voz. E que essa voz, em vez de chorar a crise, vai dançar por cima dela.

Salónica não é Atenas e os Koza Mostra nunca esconderam esse orgulho periférico. A cidade portuária no Golfo Termaico é um caldeirão de influências balcânicas, otomanas, judaicas e gregas, onde a música sempre foi mais híbrida e mais plebeia do que a capital permitia. É lá que em 2012 nasce a banda, com um nome que é já uma declaração de carácter: koza mostra significa, em grego popular, “que espectáculo”. Uma exclamação de admiração perante algo excessivo, extraordinário, impossível de ignorar. O nome, disseram, nasceu porque era exatamente isso que queriam ser.

Com menos de um ano de vida, os Koza Mostra foram selecionados para representar a Grécia no Festival Eurovisão da Canção de 2013, em Malmö, ao lado do lendário Agathonas Iakovidis. Cantor de rebético desde 1973, que nunca aceitou cantar qualquer outro estilo. O género grego do período entre guerras, nascido nos bairros pobres dos portos, música de marginalidade e de resistência emotiva, parente próximo do blues e do fado. Juntos levaram ao maior palco da música popular europeia uma canção chamada “Alcohol is Free”. Mistura de ska punk com rebético, letras sobre naufrágios e vielas varridas pelo vento, uma metáfora transparente sobre a condição grega. Terminaram em sexto lugar.

Há quase quinze anos, os Koza Mostra fazem a música que acontece quando o rebético encontra o ska, o punk, o hard rock e os ritmos macedónios e balcânicos. O bouzouki e o saxofone convivem com a guitarra elétrica e a bateria como se sempre tivesse sido assim. Em palco, os membros vestem por vezes a fustanella (o kilt branco masculino tradicional grego) numa apropriação irónica e orgulhosa que diz: somos excessivos, somos antigos, somos modernos, somos tudo ao mesmo tempo. “Queria criar uma ponte imaginária que ligasse a Grécia ao resto da Europa”, disse Ilias Kozas. “Em Espanha têm o flamenco, na Irlanda têm a jiga, nós temos o rebético. É a mesma coisa.”

Em 2024, os Koza Mostra lançaram o terceiro álbum, Malaka, uma palavra grega de difícil tradução direta, qualquer coisa entre “idiota”, “parvo” e “amigo querido”, consoante o tom e o contexto. O título é uma provocação calculada: num mundo que se leva demasiado a sério, chamar malaka a si próprio é um ato de liberdade. O disco inclui o single “Elvis”, que cruza heavy metal com bouzouki, e colaborações com Pedro Erazo dos Gogol Bordello.

O Med irá saborear o etno-punk mediterrânico que transforma um palco numa taberna global.