Home 26 JUN Tó Trips & The Fake Latinos (PT)

Palco Castelo

26 JUN

21h45

Tó Trips & The Fake Latinos

(pt)

Portugal tem uma relação complicada com a própria latinidade. É latino por língua, por história, por temperamento, mas sempre se sentiu um pouco à margem dos outros latinos, mais contido, mais saudosista, mais avesso à exuberância que o Brasil, a Colômbia ou Cuba exibem sem pedir licença. Nesse intervalo incómodo, entre o que somos e o que negamos ser, é que Tó Trips sempre habitou: um guitarrista da grande Lisboa que nunca se conformou com Lisboa, que sempre teve um pé dentro e outro fora, e que escolheu dar à sua nova banda o nome de uma contradição: Fake Latinos.

Com este novo quarteto abre um novo capítulo onde a música é “dissidência” contra o óbvio, viagem entre o que fomos e o que ainda seremos. Acompanham-no em mais esta viagem Alexandre Frazão na bateria, António Quintino no contrabaixo e Helena Espvall no violoncelo. Uma banda que evoca as migrações sonoras da lusofonia, do Brasil a Cabo Verde, passando por Espanha e América Latina, celebrando a mestiçagem como força viva.

Tó Trips acumula quase quatro décadas de ofício à guitarra. Um caso raro, na música portuguesa, de resiliência benigna e constante inventividade. Começou nos Amen Sacristi, depois passou pelos Lulu Blind e Dead Combo, a banda que fundou em 2003 com o contrabaixista Pedro Gonçalves e que durante dezasseis anos criou composições instrumentais marcadas pelo rock, pelos blues e pela tradição portuguesa, com influências que se estendiam a África e à América Latina.

Em 2025, enquanto andava na estrada numa outra viagem sonora imaginária denominada Club Makumba, lançou Dissidente em formato quarteto com os Fake Latinos. O nome é um piscar de olho tanto à latinidade periférica portuguesa como à condição de estrangeiro dentro da própria tradição. O disco tem dezasseis faixas e um mapa que vai de Havana a Alfama, de East Village ao Tejo, de Chet Baker a Jack Kerouac, cuja voz aparece em loop numa das canções, falando sobre estradas e fugas enquanto a música se desdobra devagar por baixo. É um disco de lugares e de fantasmas.

O Med é um lugar que Tó Trips bem conhece. Depois de ter atuado com a solo, com Dead Combo por duas vezes, e com Club Makumba em 2025, regressa agora com mais um capítulo dessa longa recusa a ficar quieto.