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Palco Chafariz

26 JUN

00h45

Omar And Eastern Power

(MA/EG/KR)

A Coreia do Sul é o último lugar onde alguém esperaria encontrar os blues do deserto do Saara e a música espiritual gnawa do norte de África. Mas o século XXI tem dessas belas ironias. Num mundo onde a globalização desfaz fronteiras ao mesmo tempo que a política as reconstrói, há músicos que escolhem viver exatamente no intervalo entre os dois movimentos: a habitar países que não são os seus, a cantar em línguas que não são as da sua infância, a fazer da condição migrante não um problema, mas uma linguagem. Omar Benassila chegou a Seul vindo de Marrocos. O baterista Zaky Wael veio do Egipto. Os membros coreanos cresceram do outro lado do mundo.

Tudo começou em Jeju, a ilha vulcânica a sul da Coreia, conhecida pelos seus jardins de lava, pelas suas pescadoras mergulhadoras e pelo seu vento constante. Foi nessa ilha improvável, numa pequena casa de pescadores, que Omar Benassila se instalou em 2015 a escrever canções. Tinha chegado à Coreia uma década antes, integrado na cena de música ao vivo do bairro de Hongik em Seul, tocado jazz, rock e música clássica com músicos coreanos, participado em residências artísticas. Em Jeju, encontrou a quietude necessária para ouvir o que tinha para dizer: algo que soava a Sahel, a Marrocos, ao transe gnawa e ao deserto do Saara. Partilhou as canções com Zaky Wael, o percussionista egípcio que vivia em Seul. Wael apaixonou-se imediatamente. Juntaram-se dois músicos coreanos: Oh Jin-woo na guitarra e Tehiun no baixo. A banda formou-se em 2016, com um nome que é, ele próprio, uma declaração de identidade: Omar e o Poder Oriental.

A música dos Omar and the Eastern Power é o que acontece quando a nostalgia do deserto encontra a percussão do Rio Nilo e os dois são filtrados pela sensibilidade musical coreana: disciplinada, precisa, com uma relação profunda com o ritmo que vem de tradições milenares. O blues gnawa marroquino fornece o trance e a espiritualidade; o afrobeat dá o groove e a energia coletiva; o dub abre espaço e silêncio; o rock psicadélico faz tudo explodir quando é preciso. As letras, escritas por Omar, são crónicas da vida migrante. A alegria e a tristeza, o trabalho duro e o amor, a saudade e o espanto de descobrir que o mundo cabe numa canção. O próprio Omar resumiu com precisão: “Acreditamos que a música é uma. E os géneros e estilos são um pouco como fronteiras entre países. Por isso tentamos ir para além delas.”

Num mundo fragmentado, Omar and the Eastern Power unem Magrebe, Nilo e o Extremo Oriente numa dança irresistível.