
Desde o início que o MED foi um festival que sempre acolheu outras músicas para além das provenientes da extensa bacia do Mediterrâneo. A quarta edição de 2007 encerrou com a formação argentina Bajofondo Tango Club do mestre Gustavo Santaolalla.
19 anos depois, o MED recebe um novo coletivo de eletrotango que evoca estas e outras boas memórias como as de Gotan Project.
Tangomotán é um quarteto parisiense, formado em 2016, que reinventa o tango como música de hoje: fusão visceral de tradição argentina, formação clássica europeia e impulsos electrónicos dançantes. É o tango aumentado (e não eletrotango) como eles bem gostam de referir.
Constituído por músicos exímios de formação clássica nos conservatórios de Paris (CRR, CNSM) e Gennevilliers, como Blanche Stromboni (contrabaixo), Marion Chiron (bandoneon), Robin Apparailly (violino) e Leandro Lacapère (piano), este ensemble transforma o palco num laboratório de tango vivo, acessível e electrizante.
A sonoridade dos Tangomotán funde o tango raiz com bandoneon, violino, piano e contrabaixo a elementos eletrónicos (como loops e distorções). Partindo de melodias tradicionais, amplificam ritmos e improvisações, ecoando os pioneiros do tango eletrónico, mas com um toque operário e humanista, sempre centrado na dança e na energia viva do género. O álbum Motán (2024) e o mais recente L’Étreinte (2026) são a demonstração mais cabal desta alquimia: música que sabe de onde vem e não tem medo de não saber para onde vai.
Ao vivo, vestem o bleu de travail para um visual cru e autêntico, entregando-se a performances viscerais de improvisação e fusão acústico-eletrónica. Dos palcos intimistas aos grandes festivais, hipnotizam com energia contagiante, transformando cada concerto numa milonga moderna e universal.
Para os Tangomotán, o tango não é um género do passado encerrado em si mesmo, é uma linguagem viva, capaz de absorver o presente sem perder o carácter.