Home 25 JUN Sérgio Godinho (PT)

Palco Cerca

25 JUN

21h30

Sérgio Godinho

(PT)

Sérgio Godinho não tem género. Tem universo. As suas canções têm imensas vidas. Imensos arranjos. Habitam ao mesmo tempo o bar e a biblioteca, a estrada e a praça pública. São letras que se lembram, melodias que insistem. E ao vivo, tudo isso ganha uma dimensão diferente: ele é um dos raros artistas capazes de fazer uma sala grande sentir-se íntima. Godinho é, pois, um cartógrafo de geografias afetivas, onde cada tema é um porto de escala diferente, mas a língua portuguesa é sempre o cais de partida.

Nos últimos anos, Sérgio Godinho, com a excelsa formação os Assessores e com outros cúmplices, tem revisitado o seu reportório ao vivo, que desconstroem e reimaginam clássicos como “Liberdade”, “Os Conquistadores” ou “Homem dos Sete Instrumentos”, como se cada concerto fosse um laboratório de arranjos e humores.

Ao longo do tempo, foi incorporando jazz, ritmos urbanos, texturas eletrónicas, ecos de música brasileira e atlântica, mantendo sempre a palavra no centro: histórias em formato de canção, com personagens, ângulos inesperados e uma ironia que nunca se divorcia da ternura.

Registos recentes, como o projeto ao vivo Sérgio vezes três, mostram-no em diálogo próximo com o público, misturando delicadeza acústica, pulsação rítmica e uma permanente disponibilidade para ouvir o tempo presente e comentá‑lo em palco.

Há uma generosidade na sua presença em palco, uma entrega sem artifício, que transforma o concerto numa conversa longa e necessária entre ele e quem o ouve.

Em tempos de ruído rápido e memória curta, Sérgio Godinho e os músicos que o acompanham, lembram-nos que a canção pode ser lugar de amor (Às Vezes O Amor ainda está bem vivo), de encontro, pensamento e dança ao mesmo tempo. É urgente vê-lo em palco porque cada concerto é uma aula viva de como a música portuguesa dialoga com o mundo sem perder o sotaque, abrindo janelas para outras geografias sonoras, sem fechar a porta de casa.

Em 2026, chega com a energia de quem prepara um novo disco de canções inéditas onde essa identidade sonora madura, entre a crónica e o sonho, entre a ferida e a festa, se renova mais uma vez, alimentada por décadas de estrada.