Home 25 JUN Groundation (US)

Palco Matriz

25 JUN

00h30

Groundation

(US)

O reggae nasceu de uma ferida. Brotou do solo pobre da Jamaica, de corpos que atravessaram o Atlântico acorrentados e de gerações que aprenderam a sobreviver transformando a dor em ritmo, a opressão em oração. Mas a música que a dor produz não conhece fronteiras geográficas e o que a Groundation fez foi precisamente isso: levar essa chama para fora da ilha, alimentá-la com outros combustíveis, e devolvê-la ao mundo com uma intensidade que Bob Marley, com certeza, reconheceria como sua.

A Groundation nasceu em 1998 no campus da Universidade de Sonoma, no norte da Califórnia, dentro de um programa de jazz. Harrison Stafford, o seu líder e voz, estudava jazz quando formou o grupo. Filho e neto de músicos de jazz, cresceu a ouvir Count Basie com a mesma naturalidade com que descobria os Wailers.

Este cruzamento de mundos não foi acidente nem pose: foi a matéria-prima de algo genuinamente novo. Entre 1999 e 2001, Stafford lecionou o primeiro curso acreditado sobre a história do reggae numa universidade pública californiana porque para ele, antes de tocar, era preciso compreender. E compreendeu tão bem que ajudou a redefinir o que o reggae americano poderia ser.

O nome “Groundation” vem de uma cerimónia rastafári que celebra a ligação à terra e às origens. Uma síntese perfeita do que o grupo viria a representar: música como ritual e consciência.

Em 2002, o álbum Hebron Gate lançou a Groundation para a notoriedade internacional e França tornou-se, quase de imediato, uma segunda pátria para a banda. Desde então construíram uma discografia que mistura reggae roots tradicional com improvisação jazzística, ritmos funk, efeitos dub e camadas afro-cubanas e latinas, sempre com a consciência social que é marca registada do roots reggae: a luta pela justiça, a crítica à ganância, o apelo à unidade. Ao longo dos anos colaboraram com lendas como Don Carlos, The Congos, Apple Gabriel e Israel Vibration ligando deliberadamente a corrente entre gerações.

Em 2025, a Groundation lançou o seu 11.º álbum de estúdio, Candle Burning. Uma viagem musical que não se demora no negativo, mas abraça a luz, o fogo e a vida que ardem dentro de nós. O disco conta com colaborações de Alpha Blondy, Mutabaruka, Thomas Mapfumo e Mykal Rose. Um concílio de sábios da diáspora africana e caribenha reunidos em torno de uma mensagem de resistência serena. Gravado em fita analógica nos lendários estúdios ICP de Bruxelas, o álbum preserva a energia crua e o som orgânico que fazem a reputação da banda, como se a resistência ao digital fosse também, ela própria, um ato político.

Em 2026, o grupo apresenta-se no Med de Loulé com a força dos clássicos e a frescura de quem nunca se rendeu à inércia. Cada concerto é um ritual sonoro que atravessa géneros e gerações, do roots mais puro à improvisação jazzística, com a intensidade emocional de quem faz da música uma causa.