
Calle Mambo surgiram em 2013 nas ruas geladas de Munique, quando músicos chilenos, como o cantor Jhon Valle, o guitarrista Erkki Nylund, Guillaume Laumière no charango e Jankely Felix na percussão, se reuniram para tocar na rua. Músicos migrantes que buscam sustento e pertença ao mesmo tempo. O nome surgiu como uma piada: “mambo na calle”, capturando o espírito espontâneo e de rua que os define desde o início.
O ponto de partida, é a riqueza descomunal das músicas populares latino-americanas. Não apenas as mais conhecidas internacionalmente, mas as que a globalização foi empurrando para as margens: o huayno dos Andes peruanos, o caporal boliviano, a timba cubana, a cumbia colombiana e chilena nos seus muitos dialetos. É sobre estas raízes que Calle Mambo funde a eletrónica, o rap, os beats contemporâneos, e o resultado é o que a banda batizou de folklor electro-urbano: uma linguagem que faz a ponte entre gerações sem trair nenhuma delas.
Inspirados em pioneiros como Celso Piña, que revolucionou a cumbia com hip-hop e energia roqueira, gravaram álbuns como o homónimo de 2015, Electro Pachamámico (2020) e o recente Retumba la Tierra (2025).
O arsenal instrumental é, por si só, uma declaração de intenções. Em palco, Calle Mambo interpreta mais de dez instrumentos, como quena, quenacho, charango, ronroco, zampoña, gaita colombiana, cuatro venezuelano, tiple, timbales, sintetizadores e percussão eletrónica. Cada peça é uma viagem que parte dos Andes e chega à pista de dança. As letras não ficam aquém do som. Falam de migração forçada, de destruição de ecossistemas, de opressão e de resiliência.
Os Calle Mambo chegam ao MED com o fôlego de uma banda em contínua digressão e com o repertório mais maduro da sua trajetória, com a energia de quem tem urgência em comunicar, não apenas ritmos, mas