
Em 1969, o som das ruas de Havana pulsava entre a tradição e a esperança. Juan Formell, que passara pela Orquesta Revé, ambiciona criar uma orquestra que traduza a vida quotidiana cubana em música. Inspirou-se na charanga clássica formada por flauta, violinos e uma secção rítmica leve, mas adicionou também baixo elétrico, bateria e teclados. O resultado? Um híbrido irresistível: a charanga moderna, que transformou o panorama musical da ilha. O próprio nome “Van Van” ecoava o lema popular da época “¡Vamos a andar!”. Símbolo de movimento, progresso e vitalidade inspirado nas iconográficas camionetas soviéticas “van” dessa época.
Desde os anos 70, Los Van Van tornaram-se muito mais do que uma banda: passaram a ser uma instituição nacional e um fenómeno transcontinental. Foram pioneiros do songo, género que misturou o sabor tradicional com o pulso elétrico doa pop, do funk e do jazz.
Os arranjos de Juan Formell e do seu carismático trombonista Pupy Pedroso, aliados às vozes ásperas e cheias de “calle” de Pedro Calvo, Mayito Rivera e tantos outros, definiram uma identidade sonora que influenciou orquestras e salseros de todo o mundo. Dos NG La Banda aos Irakere. Em Nova Iorque e em Cali, músicos de salsa admitem que Los Van Van mudaram a gramática da música dançável latino-americana.
Em 2014, após o falecimento de Juan Formell, o filho Juan que já era diretor musical de Los Van Van há uma década, pega na batuta da orquestra e moderniza-a sem perder o balanço genuíno, incorporando samplers discretos, harmonias mais pop, e uma energia que transforma o palco em pista de baile universal.
Los Van Van são uma orquestra que não repousa sobre o passado. Têm o dom raro de soar a clássico e a futuro ao mesmo tempo. Vê-los no MED é assistir à memória viva de Cuba com corpo inteiro. É sentir o pulsar de Havana, o rumor do Caribe e o ADN do groove latino passado de pai para filho.