Home 26 JUN Bohemian Betyars (HU)

Palco Matriz

26 JUN

22h30

Bohemian Betyars

(HU)

Há bandas que transformam o caos em celebração e os Bohemian Betyars são a prova viva disso. Nascidos em 2009, em Miskolc, no nordeste húngaro, este sexteto tornou-se sinónimo de energia contagiante, humor irreverente e uma sonoridade que atravessa fronteiras.

O seu nome, que junta o espírito livre “boémio” ao termo húngaro betyár (fora da lei, o vagabundo nobre que recusa a ordem estabelecida), imprime-lhes um manifesto: viver e tocar sem amarras, num eterno convite à dança e à resistência alegre, recuperando a festa dos Balcãs e das aldeias ciganas, com atrevimento punk.

Desde cedo, cruzaram caminhos com o ska dos anos noventa, o punk rock centro-europeu e a vertigem balcânica popularizada por nomes como Goran Bregović, Emir Kusturica, Fanfare Ciocărlia, Gogol Bordello ou Dubioza Kolektiv. Mas os Betyars têm algo de único: uma relação espontânea entre o caos e a precisão musical. As suas canções transitam entre a euforia das fanfarras, o balanço cigano, o deboche da festa ska e o lirismo melancólico dos violinos da planície austro-húngara. Descrita muitas vezes como speed-folk freak-punk, a música dos Bohemian Betyars reconcilia tradição e modernidade num abraço turbulento. É música de viagem e de desenraizamento, memória e futuro ao mesmo tempo.

Os temas, muitas vezes cantados em húngaro, evocam bailes rurais, amores desavergonhados e um certo espírito libertário que sempre acompanhou as margens da cultura centro-europeia.

Num espetáculo que é tão intenso quanto teatral, figurinos coloridos, coreografias improvisadas e uma energia que parece alimentar-se diretamente da multidão, o público não assiste, participa. E quando os sopros começam a galgar o compasso, o concerto transforma-se num ritual coletivo de alegria anárquica.

No MED, os Betyars mostram que continuar a dançar é uma forma de resistência e que a festa pode ser, também, uma arma política.